Vida é relação e subordina-se à empatia – o colocar-se no lugar do outro – mas não se pode negar que nas afinidades às vezes incorre-se em dolorosas decepções.
Só posso estar com quem pode estar comigo, portanto qualquer forçamento de uma das partes leva a um desgastante dispêndio de energia, que resulta em fundo sofrimento. Tem-se de ter coragem para vivenciar essa verdade. Será preciso se despir de todas as conceituações, inverter e subverter valores conhecidos, mas nem sempre reconhecidos, assim como o sentimento de tolerância.
Afinal, a tolerância é suportar o insuportável? Conviver com o obtuso, ajudar o ingrato, falar ao surdo e mostrar ao cego? Será a tolerância uma estupidez? Ou forma inteligente de viver?
É lícito evitar uma relação. Mas há os que não se podem evitar, porque já se firmaram em nossas relações: o marido ou a mulher, os parentes e meio-parentes, os colegas de trabalho e tantos outros que fazem parte de nossas vidas - as afinidades eletivas. Estão e vivem conosco. O que fazer?
A estes temos de compreender, nunca tolerar. O tolerado se sente inferiorizado! O tolerante convive com o tolerado por esforço e sacrifício, muitas vezes forçosamente. Aí não há amor, há desamor!
O estado de tolerância é sumamente ofensivo, é a quintessência do desamor. E temos de amar.
E quando se ama, convive-se mediante inteligente ajustamento, com silêncios oportunos e ausência de suscetibilidades e não resistência; para que não se guardem mágoas geradoras de arrependimentos e necessitadas de perdão.
Por isso quem verdadeiramente ama não precisa perdoar, porque não se ofende.
Não se trata de tolerar, mas de compreender, e em se compreendendo, convive, vive-com aquilo que é: alto ou baixo, magro ou gordo, inteligente ou desalumiado. Vive-se-com é conviver com o que a Vida nos presenteou, sem se ofender, porque vive atentamente, dinamicamente compassivo – com paixão- pacientemente – na ciência da paz -, sem avaliações intempestivas, sem comparações nem condenações, sem racionalizações e ou justificativas.
Quem ama não avalia, mas vive com o que é. Não compara o fruto do seu amor com ninguém.
E se isso se refere aos já firmados em nossas relações, podemos e devemos estender-se aos demais, ainda que possamos evita-los?
Aos que não nos são simpáticos, com os quais não temos nenhuma afinidade e aos quais, por isso, é lícito evitar?
Mas, a vida, tem seus encontros e reencontros, e com estes convive-se inteligentemente.
“Perdoai nossas dividas, assim como perdoamos nossos devedores” ensina-nos a prece diária.
Nela a verdadeira tolerância é uma disposição de ânimo, que retribui não na mesma ofensa, mas, onde não se estabelece nenhuma condição recíproca.
Não disse o Cristo “se perdoarmos, seremos perdoados”. O verbo é PER-DOAR, ou seja, doar tudo, por inteiro, num movimento de totalidade, intensidade, assim como percorrer é correr inteiramente, fazer todo o percurso e perfazer é completar tudo.
Essa doação configura-se no conhecimento intensivo da dívida! Assim “perdoo, as “dou” inteiramente.
Nessa compreensão tenho o conhecimento de todos os meus males: “intolerância, desamor...” nisto me compreendo e então compreendo o outro. Amo assim como ele é, por inteiro, sem cogitações, sem imagens e projeções do que gostaria que fosse, da mesma forma que sou “eu” e ele é “ele”.
Bem-aventurado esse que assim o fizer, não porque o queira, mas porque ampliou sua compreensão e fazê-lo não depende da vontade, de compulsões e forçamentos, mas da plenificação do ser no amor universal.
"E Jesus vendo a multidão subiu num monte e abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
Bem-aventurados os que tem fome e sede de Justiça, porque serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão a Misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a face e Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da Justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem, perseguirem e mentirem, dizendo todo mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos....
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
Bem-aventurados os que tem fome e sede de Justiça, porque serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão a Misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a face e Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da Justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem, perseguirem e mentirem, dizendo todo mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos....
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